Alergia ao século XXI

segunda-feira, 8 de junho de 2009 | Published in | 1 comentários

Não sou muito de fazer breves introduções ao que eu escrevo, mas dessa vez achei necessário. Um texto um tanto quanto infantil, mas de forma proposital. Espero que aqueles que lerem esta curta introdução tenham percebido meu sarcamo.

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Era uma vez um homem. Ele era um cara comum, como todos os outros, mas tinha algo nele que o tornava diferente: o mundo ao seu redor parecia feri-lo de alguma maneira. Ele se sentia sempre com um frio no estomago que não sumia por mais que ele tentasse, uma sensação de vazio que nunca ia embora mesmo se ele estivesse perto de pessoas que ele amava. Não era as pessoas do mundo que o deixavam assim, afinal existiam pessoas boas e pessoas más, era o mundo em si que o machucava, e fazia com que ele nunca se sentisse bem em lugar nenhum. Todos esses problemas o fizeram procurar um médico, e este médico não soube responder a fatídica pergunta: O que aquele homem tinha? Outros médicos foram procurados e todos não souberam dizer qual a doença que aquele homem tinha. Ele até mesmo apareceu num famoso programa de televisão procurando ajuda e não conseguiu descobrir o que tinha. Foi preciso que um famoso médico fosse trazido diretamente da Europa para avaliar o problema. Depois de meses de estudo o médico chegou a uma conclusão taxativa: aquele homem tinha alergia ao século XXI. A princípio todos ficaram espantados, como alguém podia ser alérgico ao tão esperado, aclamado e, até mesmo, quase ficcional século XXI? Mas para aquele homem, a resposta parecia fazer muito sentido. Ele, como todo mundo, ficava maravilhado com o século XXI e suas novidades. Ele admirava a expansão do conhecimento e a quebra de barreiras proporcionada pela internet no início do século XXI, mas não entendia como as pessoas preferiam conversar por e-mail do que pessoalmente, mesmo sendo vizinhas. Ele admirava a revolução sexual que acontecia e a quebra de preconceitos, mas não entendia como quanto mais os tabus sexuais eram quebrados menos se valorizava o amor. Ele admirava como os relacionamentos podiam ser tão diferentes, mas não entendia como as pessoas passavam menos tempo com uma pessoa só. Ele admirava as inúmeras tentativas de paz, mas não entendia como a paz podia ser um instrumento de guerra. Enfim, ele realmente acreditou no diagnóstico do médico, ele realmente tinha alergia ao século XXI, estava tudo explicado. Numa tentativa de viver sem os seus problemas alérgicos, esse homem se mudou para uma distante montanha afastada da sociedade, e lá viveu por muitos anos. Ele viveu muito mais do que qualquer outro ser humano, pois no alto da montanha não precisava se preocupar com o que as pessoas iriam achar dele, não via hipocrisia, não tinha stress, vivia em paz consigo mesmo e nunca mais sentiu aquele frio no estomago de novo. Ele estava curado.

E o tempo passou, no mundo sem aquele homem as pessoas mudaram, e depois de muito tempo perdido em brigas e discussões, em preocupações que em nada levavam, em valores falsos que não ajudavam a ninguém, elas perceberam que também faltava algo nelas, uma sensação de vazio que nunca ia embora, um frio no estomago que não sumia. Grandes cientistas pesquisaram o estranho fenômeno e nada descobriram, mas alguém se lembrou do velho homem que tinha esses mesmos problemas e que há muito tempo havia abandonado a sociedade. Todas as pessoas do mundo se juntaram e foram atrás daquele homem, e todos ficaram espantados ao verem que ele ainda estava vivo depois de tantos anos. Eles pararam e falaram para aquele homem tudo que sentiam e o homem olhava para eles como se olha para alguém que tem o mesmo problema que você e que por isso te entende. O homem contou para todo mundo como ele se sentia na sociedade e como os problemas dele acabaram quando ele foi viver nas montanhas. As pessoas ouviram e voltaram para suas casas e começaram a deixar de lado os falsos valores que defendiam e começaram a olhar nos olhos umas das outras sem mais desconfiar, valorizando mais o ser do que o ter ou parecer. Graças a isso o mundo havia mudado mais ainda, e a hipocrisia havia sido varrida da face da Terra, assim como o egoísmo e a destruição, o amor passou a ser cada vez mais celebrado e o ser humano não mais tinha preconceitos. Tudo isso por causa do homem que tinha alergia ao século XXI, por tudo isso as pessoas do mundo o chamaram para sair de sua montanha e ver o que ele havia feito, e o homem aceitou. Desceu de sua montanha e viu a sociedade que havia surgido, ficou espantado e feliz, pela primeira vez ele não se sentia incomodado no meio das pessoas, parecia que sua alergia havia acabado, era o primeiro dia do século XXII.

comentários

  1. aurasacrafames says:
    11 de setembro de 2009 10:23

    É verdade o nosso modo de vida está falido, espero que a aurora do próxima século faça ressurgir tudo aquilo que é essencial à nossa vida, mas que infelizmente nos esquecemos!

    Abraços
    Por uma sociedade melhor!
    aurasacrafames.blogspot.com

  2. aurasacrafames says:
    11 de setembro de 2009 10:23

    É verdade o nosso modo de vida está falido, espero que a aurora do próxima século faça ressurgir tudo aquilo que é essencial à nossa vida, mas que infelizmente nos esquecemos!

    Abraços
    Por uma sociedade melhor!
    aurasacrafames.blogspot.com