MORPHINE

terça-feira, 30 de junho de 2009 | Published in | 1 comentários

Eu tentei, mas não resisti. ME senti obrigado a fazer o meu post obrigatório semanal. Nessa semana, um texto sobre uma banda que eu gosto muito.
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Eu sou baixista. Não sou um músico muito bom, mas eu tenho uma fixação quase que doentia por esse instrumento, quando ouço uma banda que tem uma linha de baixo legal ou que exalte esse instrumento (que sempre é deixado de lado pelas bandas e pelos ouvintes) eu faço questão de ouvir. E foi assim que eu descobri uma das minhas bandas favoritas: MORPHINE.

Não dá pra falar dessa banda sem falar um pouco sobre o baixista/vocalista/letrista/fundador da banda Mark Sandman. Ele era um cara apaixonado pela noite e que inventava desculpas para curti-la, e isso acabou por influenciar bastante o som do Morphine. Ele nasceu em Cambridge, mas depois que caiu na noite, nunca mais teve residência fixa, apesar de manter Boston como sua base de operação. Ele já foi taxista, trabalhou num pesqueiro no Alasca, e falava português fluentemente devido ao ano em que morou no Rio de Janeiro (além disso ele era um amante da música brasileira, a bossa nova é evidente em algumas músicas dele).
E foi esse cara que, misturando rock, jazz e blues, criou um som absurdamente simples e diferente do que estamos acostumados.
No vocal e no baixo vc tinha Mark Sandman, com a sua voz grave e suas letras que falavam sempre de trsiteza, ser um perdedor ou de sexo (muito sexo). Uma observação deve ser feita aqui, o baixo dele era adaptado, ele tinha somente duas cordas. Isso mesmo duas cordas! A banda ainda tinha Dana Colley tocando sax, que conseguia algo que eu considero uma façanha: ele tocava dois sax ao mesmo tempo. No primeiro disco tinha Jerome Dupré na bateria, nos outros discos da banda ele foi substituído por Billy Conway. E só, nada mais. A grande maioria das pessoas estranha essa formação, afinal eles tocavam sem guitarra, algo quase impensável para uma banda que se diz de rock, mas ao ouvir o som do Morphine vocÊ descobre que a guitarra não faz a menor falta.
Dos cinco discos da banda [Good (1992), Cure for Pain (1993), Yes (1995), Like Swimming (1997), B-Sides & Otherwise (1997), The Night (2000)] e duas coletâneas [Bootleg Detroit - live (2000), The Best of Morphine: 1992-1995 (2003)], vou recomendar o que eu considero o melhor disco dessa banda: “Cure for Pain”.
Esse foi o segundo disco do Morphine, o primeiro disco Good (1992), é muito bom, mas possui um som diferente demais para os ouvidos menos acostumados, por isso é segundo disco é o melhor para se começar a ouvir essa banda. Tem uma levada mais pop e menos underground que os demais.
Depois de uma introdução instrumental altamente sensual chamada “Dawna”, o disco engata logo com “Buena”, que é realmente uma música boa com sua introdução de baixo bem característica e a voz grave de Mark, os sax entram somente no hora do refrão. Em seguida vem “I’m free now”, a melhor música pra se ouvir depois de um fim de namoro com a sua bela introdução de sax e bateria e a letra que já começa dizendo a que veio e com um refrão fantástico que gruda na mente (“Honest I swear the last thing I want to do Is ever cause your pain”). Em seguida vem “All wrong” , uma música cujo o solo do final me espanta sempre que eu ouço, pois nunca tinha ouvida uma distorção quá-quá (aquela distorção típica de funk geralmente feita com guitarras) só que ligada no sax.
Depois temos “Candy”, uma música romântica com letra bem realista, uma levada calma que te dá vontade de chorar pela beleza da música. A seguir vem “A head with wings” , onde se pode ouvir o tanto que o Dana Colley é bom, tocando dois sax juntos. “In Spite of me”, uma música com um dedilhado de violão, só pra mudar o ambiente causado pelo disco. “Thursday” vem em seguida acho que é a faixa mais experimental do disco, que causa estranheza quando se ouve pela primeira vez, mas depois de acostumar os ouvidos vc começa a viajar na música. Enfim a faixa título, “Cure for pain” realmente merece esse nome, a música leva a dor embora a medida que se ouve, transmitindo uma paz que não se costuma sentir com música, uma tranqüilidade melancólica, e como é dito no refrão (Someday, there will be a cure for pain). “Mary won’t call my name” é a faixa mais animada do disco, dá vontade de sair dançando ao ouvi-la, e tenho de admitir que muitas vezes fiz isso. “Let1s take a trip together” uma música bem ambiente , do tipo que agente gostaria de ouvir ao lado de uma bela garota saboreando um copo de alguma bebida. E por último temos “Sheila”, pra fechar com chave de ouro, a música transmite sensualidade pra quem ouve, basta ouvir o refrão dessa música que eu tenho vontade de realmente virar para uma garota e dizer “I´m yours to command”

Enfim, é um excelente disco que justifica o seu nome, é realmente uma cura para a dor.

VERMELHO

segunda-feira, 22 de junho de 2009 | Published in | 2 comentários

Um grande amigo meu sempre repete quando estamos conversando: “o vermelho não é algo natural. O vermelho é sobrenatural”. Eu sou obrigado a concordar com ele nessa afirmação, poucas coisas chamam mais atenção do que o vermelho, essa cor me fascina e faz com que eu não consiga desviar meus olhos dela. É óbvio que não estou aqui falando de qualquer vermelho, até mesmo a frase acima de autoria desse meu amigo é sempre utilizada num contexto específico. O vermelho que tanto nos fascina é aquele vermelho que emoldura o rosto de algumas mulheres.

Isso mesmo. Desde o início, esta é uma história sobre cabelos vermelhos, ruivas para ser mais exato. Não sei o que elas possuem, mas basta ver cabelos vermelhos que meus olhos irão seguir a portadora dos mesmos, seja ela quem for. É um estranho e comum fetiche, sem explicação e que surgiu em minha vida sabe-se lá como. Não consigo mais nem mesmo me lembrar da primeira vez que ruivas me chamaram atenção, muito provavelmente foi numa revista em quadrinhos (e não, e nunca fui apaixonado pela Jean Grey. A minha ruiva era outra). Pelo menos essa é a minha lembrança mais antiga sobre uma ruiva. E desde então, para o bem e para o mal, essa cor desperta meu desejo.

Já cheguei a momentos estranhos desse vício (sim, posso dizer que é quase um vício controlado, por assim dizer). Exemplo clássico está no fato de eu que comecei a ouvir Garbage e Auf der Maur somente para pdoer admirar as vocalistas (Shirley Manson e Melissa Auf Der Maur, respectivamente).

Enfim, não preciso mais ficar me repetindo sobre esse meu fetiche, afinal esse assunto já deve estar ficando chato para quem me lê neste momento. Vou encerrar por aqui antes que comece a falar sobre meu fetiche com mulheres de óculos, mas aí eu vou invariavelmente entrar no assunto envolvendo “ruivas de óculos”, e aí esse texto acabará ficando longo demais.

Festas Juninas

segunda-feira, 15 de junho de 2009 | Published in | 1 comentários

Meio do ano, mês de junho. Isso possui apenas um significado em qualquer lugar do país, significam festas juninas. Mudam a forma, mudam alguns costumes, mas no fim das contas festas juninas se espalham pelo país inteiro, seja grandes festas com shows e artistas ditos famosos ou pequenas festas em quadras, todos os cantos tem sempre uma festa junina sendo realizada durante todo o mês de junho (constatação meio óbvia, porém necessária para o andamento deste texto).

Sou obrigado a dizer, festas juninas são legais, comida boa, festas divertidas (algumas). Mas o estranho sobre isso tudo é que festas juninas somente passaram a me agradar depois de eu já ter virado adulto. Durante toda minha infância e adolescência eu tinha verdadeira repulsa a festas juninas. Poucas coisas me irritavam mais do que essas festas.

Não foi um único motivo que me levou a ter esse ódio irracional e ridículo (se bem que todo o ódio por si só é irracional e ridículo). Talvez o primeiro deles tenha sido o fato de ter nascido no dia de São João, um dos santos homenageados nestas festas. Meus primeiro aniversários sempre tiveram temática de festas junina comigo usando uma fantasia ridícula só par algumas tias velhas babarem. Lembro que com somente 5 anos eu tive que brigar com a minha mãe pra não ter uma festa de temática junina. Chorei e esperneei, e contrariada, minha mãe me deu minha festa dos Thundercats (ok, sou nerd, sem qualquer sombra de dúvida).

Mas ocorre que na minha vida a festa junina sempre foi uma época de traumas e problemas. Não só aniversários me traumatizavam, mas a minha escola contribuía bastante. No colégio onde estudei quando pequeno nos fantasiam com aquelas roupinhas meio ridículas (e forçadas) de “caipiras” (mais uma vez as fantasias...) e a participação numa dança de quadrilha era obrigatória, mais para agradar país que utilizam rolos e mais rolos de filmes fotográficos ( alguém aí ainda se lembra disso?) do que para agradar as pequenas crianças que tinham muito pouco idéia do que acontecia de verdade.

E eu me lembro que pior do que dançar a quadrilha na escola, eram os ensaios. Tudo Sempre começava com a escolha dos pares, e eu nunca conseguia dançar com a menina com a qual eu queria. Não me lembro de uma época a qual o rótulo de “nerd” não me era imposto, e quando criança era pior (pra não dizer engraçado) pois sempre me sobrava para dançar a menina que não tinha par. Era pior do que no futebol, onde eu sempre era o último a ser escolhido. Lembro de uma vez na qual a menina mais bonita da turma (isso na época de uma primeira ou segunda série) havia faltado e eu havia sobrado na escolha de pares. No dia seguinte ela acabou tendo que dançar comigo, fato este que me causou uma alegria de apenas alguns minutos, pois ao saber que ela dançaria comigo, essa mesma menina conseguiu (não sei como) trocar de par e mais uma vez eu sobrei pra dançar com sabe-se lá que outra menina havia sobrado.

Passado esse primeiro momento de trauma, vinham mais um mês de ensaios chatos, sempre com a mesma música e sempre durante muito mais tempo do que qualquer ensaio deveria durar, afinal paciência crianças nunca são duas coisas que combinam muito.
E destas festas, lembro que a mais feliz foi o ano no qual minha parceira havia faltado a festa por estar doente. Ainda tentaram improvisar e me arrumar outro par, mas o que nunca contei pra ninguém é que me senti aliviado com a falta da menina, e assim escapei da quadrilha, escapei da dança e escapei do mal que aquilo me fazia.

Enfim, as festas juninas me traumatizaram. O tempo passou, superei esses traumas e hoje são festas que eu gosto, como já disse acima. Deixei esses problemas no passado, mas como tudo que passa deixa uma marca, ainda sinto resquícios desses antigos problemas, afinal até hoje, sempre que tento organizar uma festa de aniversário, eu preciso ter uma longa conversa com a minha mãe para que ela não tente colocar algumas bandeirinhas de papel espalhadas pelo local.

Alergia ao século XXI

segunda-feira, 8 de junho de 2009 | Published in | 1 comentários

Não sou muito de fazer breves introduções ao que eu escrevo, mas dessa vez achei necessário. Um texto um tanto quanto infantil, mas de forma proposital. Espero que aqueles que lerem esta curta introdução tenham percebido meu sarcamo.

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Era uma vez um homem. Ele era um cara comum, como todos os outros, mas tinha algo nele que o tornava diferente: o mundo ao seu redor parecia feri-lo de alguma maneira. Ele se sentia sempre com um frio no estomago que não sumia por mais que ele tentasse, uma sensação de vazio que nunca ia embora mesmo se ele estivesse perto de pessoas que ele amava. Não era as pessoas do mundo que o deixavam assim, afinal existiam pessoas boas e pessoas más, era o mundo em si que o machucava, e fazia com que ele nunca se sentisse bem em lugar nenhum. Todos esses problemas o fizeram procurar um médico, e este médico não soube responder a fatídica pergunta: O que aquele homem tinha? Outros médicos foram procurados e todos não souberam dizer qual a doença que aquele homem tinha. Ele até mesmo apareceu num famoso programa de televisão procurando ajuda e não conseguiu descobrir o que tinha. Foi preciso que um famoso médico fosse trazido diretamente da Europa para avaliar o problema. Depois de meses de estudo o médico chegou a uma conclusão taxativa: aquele homem tinha alergia ao século XXI. A princípio todos ficaram espantados, como alguém podia ser alérgico ao tão esperado, aclamado e, até mesmo, quase ficcional século XXI? Mas para aquele homem, a resposta parecia fazer muito sentido. Ele, como todo mundo, ficava maravilhado com o século XXI e suas novidades. Ele admirava a expansão do conhecimento e a quebra de barreiras proporcionada pela internet no início do século XXI, mas não entendia como as pessoas preferiam conversar por e-mail do que pessoalmente, mesmo sendo vizinhas. Ele admirava a revolução sexual que acontecia e a quebra de preconceitos, mas não entendia como quanto mais os tabus sexuais eram quebrados menos se valorizava o amor. Ele admirava como os relacionamentos podiam ser tão diferentes, mas não entendia como as pessoas passavam menos tempo com uma pessoa só. Ele admirava as inúmeras tentativas de paz, mas não entendia como a paz podia ser um instrumento de guerra. Enfim, ele realmente acreditou no diagnóstico do médico, ele realmente tinha alergia ao século XXI, estava tudo explicado. Numa tentativa de viver sem os seus problemas alérgicos, esse homem se mudou para uma distante montanha afastada da sociedade, e lá viveu por muitos anos. Ele viveu muito mais do que qualquer outro ser humano, pois no alto da montanha não precisava se preocupar com o que as pessoas iriam achar dele, não via hipocrisia, não tinha stress, vivia em paz consigo mesmo e nunca mais sentiu aquele frio no estomago de novo. Ele estava curado.

E o tempo passou, no mundo sem aquele homem as pessoas mudaram, e depois de muito tempo perdido em brigas e discussões, em preocupações que em nada levavam, em valores falsos que não ajudavam a ninguém, elas perceberam que também faltava algo nelas, uma sensação de vazio que nunca ia embora, um frio no estomago que não sumia. Grandes cientistas pesquisaram o estranho fenômeno e nada descobriram, mas alguém se lembrou do velho homem que tinha esses mesmos problemas e que há muito tempo havia abandonado a sociedade. Todas as pessoas do mundo se juntaram e foram atrás daquele homem, e todos ficaram espantados ao verem que ele ainda estava vivo depois de tantos anos. Eles pararam e falaram para aquele homem tudo que sentiam e o homem olhava para eles como se olha para alguém que tem o mesmo problema que você e que por isso te entende. O homem contou para todo mundo como ele se sentia na sociedade e como os problemas dele acabaram quando ele foi viver nas montanhas. As pessoas ouviram e voltaram para suas casas e começaram a deixar de lado os falsos valores que defendiam e começaram a olhar nos olhos umas das outras sem mais desconfiar, valorizando mais o ser do que o ter ou parecer. Graças a isso o mundo havia mudado mais ainda, e a hipocrisia havia sido varrida da face da Terra, assim como o egoísmo e a destruição, o amor passou a ser cada vez mais celebrado e o ser humano não mais tinha preconceitos. Tudo isso por causa do homem que tinha alergia ao século XXI, por tudo isso as pessoas do mundo o chamaram para sair de sua montanha e ver o que ele havia feito, e o homem aceitou. Desceu de sua montanha e viu a sociedade que havia surgido, ficou espantado e feliz, pela primeira vez ele não se sentia incomodado no meio das pessoas, parecia que sua alergia havia acabado, era o primeiro dia do século XXII.
CHOCOLATE

Hoje foi um dia que eu acordei com uma idéia fixa percorrendo minha mente desde o amanhecer: comer chocolate. Mas não era qualquer chocolate, tinha que ser um talento, como castanhas do Pará dentro, e sim, eu estava disposto a pagar três reais numa simples barrinha de chocolate, era tudo o que eu queria pra passar o dia. E no ônibus indo pra aula da pós-graduação, fiquei me lembrando dos camelôs vendendo doces nas paradas da W3 Sul, afinal eles sempre tem talento pra vender, e eu ia satisfazer esse meu desejo fácil fácil.
Cheguei na aula, coloquei meu material na carteira e fui beber uma água, mas o pensamento no maldito chocolate me perseguia. Eu podia sentir o gosto doce na minha boca, o aroma... tudo. Nem mesmo consegui prestar atenção na aula, apenas pensando no chocolate...
Tomei a decisão óbvia que se podia fazer numa situação dessas: desisti da aula e fui atrás do meu querido chocolate, ou melhor, tenho que falar a verdade, desisti da aula porque o professor era ruim e eu tinha muito trabalho pra fazer no escritório (sou advogado e de vez em quando eu realmente tenho muito o que fazer), mas no caminho com certeza eu ia encontrar alguém vendendo o talento que eu tanto queria. Infelizmente, estava enganado, nem nos camelôs das paradas nem em canto nenhum tinha esse chocolate, eu ainda consegui encontrar uma única banca que vendia aqueles talentos pequenos, mas me recusei a comprar, queria um dos grandes (além disso, o dessa banquinha tava meio estranho, parecia que alguém tinha pisado na embalagem...).
No trabalho, a idéia do doce não saiu da minha cabeça, eu babava pensando no sabor do doce e a minha concentração ia embora...
Na hora do almoço eu resolvi voltar pra casa, tinha que tomar um banho e boto o paletó e a gravata, tinha uma audiência as duas da tarde, mas a vontade de comer o chocolate não tinha passado. No caminho pra parada fui parando de lanchonete em lanchonete pra ver se eles tinham a droga desse maldito chocolate... e nada!
De tarde, hora de pegar a moto, sair, ia pra minha audiência, depois correr de fórum em fórum, e tudo isso com aquela, já maldita depois de tanto tempo, vontade de devorar uma enorme barra de talento. E ao final do dia, ainda não tinha encontrado o meu tão sonhado talento.
Em caso depois de um dia de trabalho, de noite, após ter jantado, eu não resisti. Foi mais forte do que eu. Eu peguei o carro e dirigi até a padaria mais próxima. A essa hora o chocolate já era necessidade, eu realmente precisava de uma boa dose. E por milagre, pela primeira vez no dia, eu encontrei o tão sonhado chocolate, ele estava lá, como esperando por mim. Tirar a embalagem foi como tirar a roupa de uma bela mulher, a preliminar de um momento onde eu desfrutaria do prazer do doce que me foi privado durante todo o dia. Comer toda aquela barra foi como ter um pequeno orgasmo, um orgasminho por assim dizer (orgasminho? Acho que essa foi a palavra mais feia que já usei na vida). E naquele momento, pós-chocolate, ainda meio ofegante, com uma enorme vontade de fumar um cigarro, comecei a pensar comigo mesmo algumas coisas:
A primeira coisa que lembrei foi que uma vez eu admiti num grupo de amigos que eu sou viciado em chocolate. Eu realmente não consigo passar mais do que uma semana sem comer esse maldito derivado de cacau, acho que é por isso que me dá tantas sensações bizarras. A outra coisa que lembrei foi o que um amigo meu me falou após essa confissão. Ele me disse: “Thiago, mulheres é que são viciadas em chocolate. Homens não gostam de doces. Se você gosta de chocolate e é viciado assim, então você é uma mulher”, e pensando nisso eu fiquei imaginando que eu realmente devo ser mulher, afinal se esse meu amigo estiver certo, eu prefiro ser taxado de mulher do que ser privado de chocolate...
Mas esse último pensamento me trouxe a outro. Eu gosto muito de mulheres, adoro mulheres, acho mulheres lindas, e sou apaixonado por todas elas, e se eu posso ser considerada uma “mulher” e se eu gosto tanto assim de mulheres, bem, eu obviamente devo ser lésbica... Oh, eu sou lésbica! É uma estranha descoberta, não quero nem imaginar como minha família pode reagir a isso. E no fim desses pensamento resolvi tomar uma decisão, vou procurar uma associação de lésbicas e ver se elas me aceitam, afinal, eu acabei de sair do armário.